
Novas descobertas examinam a natureza problemática dos maiores projetos de compensação de carbono sediados no Brasil, país anfitrião da recente Conferência do Clima das Nações Unidas de 2025 (COP30). A pesquisa sugere que há poucas evidências de que esses projetos consigam entregar as reduções de emissões prometidas.
As principais conclusões incluem:
- Quase 75% dos créditos provenientes dos 50 maiores projetos de compensação de carbono no Brasil entre janeiro de 2024 e junho de 2025 foram aposentados — isto é, retirados permanentemente de circulação após serem usados para compensar emissões — e são considerados “problemáticos”, não devendo ser considerados confiáveis para gerar reduções reais de emissões.
- A Verra, que administra o maior padrão de certificação do mercado voluntário de carbono do mundo, concentra a maioria desses projetos problemáticos no Brasil, respondendo por 12,8 milhões de créditos de carbono aposentados nesse período.
- Grandes corporações internacionais, incluindo BlackRock, Shell, Philip Morris e EY, aposentaram créditos problemáticos desses projetos sediados no Brasil entre janeiro de 2024 e junho de 2025.
- Muitos dos maiores projetos de compensação de carbono no Brasil estão entre os maiores do mercado voluntário de carbono (VCM) no mundo, incluindo o Pacajai REDD, que ficou entre os dez maiores projetos globais em número de créditos aposentados em 2024, ocupando a 7ª posição.
Esta pesquisa aprofundar o relatório da Corporate Accountability “Built to Fail” (Construído para Fracassar), que revelou que, apesar das “reformas” em curso no mercado voluntário de carbono (VCM), mais de 47,7 milhões de créditos de compensação problemáticos foram aposentados por meio de 43 dos maiores projetos de compensação de carbono do mundo em 2024. Esse volume representa quase um quarto de todo o VCM em 2024. O resultado mostra que o Brasil é apenas um exemplo de como as compensações de carbono e o mercado de carbono não constituem um caminho comprovado, significativo e permanente para a redução das emissões globais.